Cingapura x Brasil
quarta-feira, junho 3, 2009 10:51
Acabo de ler uma reportagem muito interessante sobre a formação de Professores.
Em Cingapura, o renomado Instituto Nacional de Educação (Faculdade de Formação de Professores) vem inovando cada vez mais, com o comando de Lee Sing Kong. A faculdade credita-se muito do rápido avanço da educação no país e está hoje entre as melhores do mundo.
Sabemos que em muitos países o professor é valorizado e tem status, em Cingapura não é diferente, e um dos motivos é que para ser professor o candidato precisa estar entre os 30% melhores da turma no ensino médio. Isso mesmo, não é como no Brasil, onde já ouvi pessoas dizendo: ” Vou ser professor (a), pois quero trabalhar só meio período e um salário para mim está ótimo”.
Além do incentivo criado para os jovens que pretendem seguir a carreira, o salário inicial é semelhante ao de um engenheiro no mesmo estágio. E o melhor, lá o professor tem prestígio. Como exemplo, no dia dos professores, o presidente faz questão de receber aqueles que deram contribuições especiais às suas escolas. Os melhores ganham prêmios em dinheiro (São Paulo está adotando essa idéia) e são adorados pela população (não chegamos, infelizmente, a esse patamar).
Algo que me chamou muito atenção na reportagem foi sobre a Residência, no Instituto todos os alunos passam por um espécie de residência médica, em que efetivamente dão aulas, supervisionados por docentes mais experientes. E lá, isso não é uma tortura.
É lei, que todos os estudantes de pedagogia devem cumprir estágio supervisionado na Educação Básica (Educação Infantil e Ensino Fundamental) e na Gestão Escolar. No total são 300 horas. A diferença de Cingapura e do Brasil, é que lá todos são estudantes, ou seja, não trabalham, já aqui temos professores, muitas vezes com mais de 15 anos de docência cursando pedagogia, portanto é impossível sobrar tempo para realizar o estágio. Afinal o dia somente tem 24 horas. Quero deixar claro que não sou contra o nosso professor que não tem formação voltar para uma sala de aula, só quero expor a grande diferença entre um país e outro sobre a Educação. Eu mesma fui para uma sala de aula, sem experiência e sem ter passado por um estágio, pois comecei a lecionar logo no primeiro ano da faculdade e o estágio supervisionado só teria início no ano seguinte. Mas é um momento de reflexão e pensar no que estamos errando. O Brasil não pode “tratar” seus professores de forma singular. Vejo que todos estão insatisfeitos: país, cidades, professores, alunos, pais. O que temos que fazer para as mudanças acontecerem? Nada na educação pode ser implantado do dia para noite, portanto, vejo que as mudanças precisam iniciar o quanto antes, pois infelizmente nossa educação está cada vez com mais falhas.




